Lucas Vasconcelos Silva e Renan Martinho se formaram em Economia na FGV e hoje ocupam posições que fogem do roteiro mais esperado da profissão. Lucas lidera a área de dados de uma agência chinesa de branding, responsável por construir marcas para empresas asiáticas em expansão para outros mercados. Renan atua como desenvolvedor de software e cientista de dados em uma gestora de multimercados, aplicando modelos macroeconômicos à gestão de portfólio no mercado financeiro.
O que diferenciou os dois não foi seguir o caminho mais comum da Economia (mercado financeiro, governo ou academia), mas usar as mesmas ferramentas de análise de dados, estatística e econometria aprendidas na graduação para resolver problemas fora do escopo tradicional do curso.
Lucas se formou em Economia pela Escola de Economia de São Paulo (FGV EESP) e passou a orientar decisões de posicionamento de marca com base em dados.
"Empresas produzem dados o tempo todo e precisam de gente capaz de lê-los e transformá-los em decisão. Alguém formado em economia pode trabalhar num clube de futebol, num veículo de mídia, numa empresa de tecnologia ou numa agência de publicidade, como eu."
Já Renan Martinho é ex-aluno da Escola Brasileira de Economia e Finanças (FGV EPGE) e seguiu por um caminho mais ligado à tecnologia, usando inteligência artificial para automatizar processos e criar modelos macroeconômicos.
"A FGV me mostrou que a economia, no fundo, ensina você a pensar e a resolver problemas complexos. E foi exatamente essa base lógica forte que deixou muito mais fácil para mim aprender a programar e entrar de cabeça na interface entre o mundo da tecnologia, economia e finanças."
Neste dia do Economista, os dois contam, em entrevista, como aplicaram na prática as ferramentas aprendidas na graduação e o que aprenderam sobre o próprio mercado de trabalho ao longo do caminho.
A ideia central do "Dia das Profissões 2026" é mostrar que as profissões podem ir além do óbvio. Em sua experiência, dentro da Economia, como você acha que sua profissão reflete essa proposta?
Lucas: Diferentemente de muitos dos meus colegas de turma, fui trabalhar com marketing e construção de marca (branding). As pessoas geralmente entram no curso de Economia pensando em mercado financeiro, governo, academia ou áreas administrativas de empresas privadas. Durante a faculdade, trabalhei como assistente de pesquisa e estagiei no mercado financeiro, mas acabei me encontrando profissionalmente na área da criação. Já atuei tanto na mensuração de resultados de investimento em marketing, por meio dos chamados modelos de Marketing Mix Modeling, quanto no apoio, com dados, a designers e estrategistas de marca. Hoje, lidero a área de dados de uma agência chinesa de branding que constrói marcas para empresas da China em expansão para outros mercados.
Renan: Hoje em dia, trabalho como desenvolvedor de software e cientista de dados em uma gestora de multimercados no mercado financeiro. Consigo enxergar os fundamentos que a EPGE me proporcionou em tudo o que faço no trabalho, seja para avaliar o custo de oportunidade ao implementar uma nova feature em nosso sistema, seja para fazer modelos macroeconômicos que estão muito bem fundamentados devido à faculdade e que servirão de base para a gestão de portfólio da empresa.
O que significa "pensar fora da caixa" em sua profissão e como isso pode ser aplicado no dia a dia de forma prática?
Lucas: Pensar fora da caixa é aplicar ferramentas aprendidas na graduação a problemas que o curso de Economia não costuma tratar. Hoje, uso estatística e econometria, comumente empregadas em questões clássicas da área, como mensuração de impacto de políticas públicas e previsão de variáveis macroeconômicas, para identificar possibilidades criativas na construção de marcas.
Renan: É não se acomodar com a forma como as coisas sempre foram feitas. Na prática, em vez de atualizar planilhas manualmente todos os dias, prefiro programar um sistema do zero, conectando o banco de dados a uma interface web para a equipe. É juntar a base econômica à programação para automatizar processos e criar modelos macroeconômicos melhores, com um raciocínio muito mais claro sobre as questões que realmente importam no mercado financeiro, usando a tecnologia como apoio à tomada de decisão.
Quais oportunidades inesperadas você encontrou na sua carreira que desafiaram o estereótipo da sua profissão?
Lucas: As oportunidades inesperadas vieram de aplicar ferramentas estatísticas a problemas fora do escopo da Economia. Em um projeto de branding para uma empresa de smart rings, anéis que medem sono e atividade física, percebi que havia muito dado de saúde gerado e pouco direcionamento sobre o que fazer com ele. Esse achado orientou o posicionamento da marca e resume por que meu trabalho existe: um economista pode atuar em um clube de futebol, um veículo de mídia, uma empresa de tecnologia ou uma agência de publicidade, como eu.
Renan: Aproveitei bem o avanço acelerado da inteligência artificial em meu trabalho. Não esperava, por exemplo, chegar a criar projetos inteiros de software interno capazes de ler e-mails, classificar informações e resumir relatórios automaticamente com apoio de IA, liberando meu tempo para focar exclusivamente na construção de cenários macroeconômicos. Essa mudança amplia o alcance do trabalho de um economista, permitindo dedicar mais atenção às análises que exigem raciocínio humano.
De que maneira a FGV contribuiu para moldar sua visão de profissão, expandindo suas possibilidades além do convencional?
Lucas: O contato com alunos de diferentes origens e interesses profissionais expandiu minha gama de possibilidades em uma época em que eu tinha mais dúvidas do que certezas sobre o futuro. Além disso, os professores e pesquisadores da FGV estão na fronteira do conhecimento, trabalhando com uma variedade enorme de temas. Durante a graduação, por exemplo, tive a oportunidade de atuar como assistente de pesquisa em um estudo sobre o mercado de transferências do futebol. As possibilidades são muitas.
Renan: A FGV EPGE exige muito da matemática e da lógica. Durante a graduação, as matérias mais densas de macroeconomia e econometria me ensinaram a estruturar muito bem o raciocínio. A FGV me mostrou que a economia, no fundo, ensina você a pensar e a resolver problemas complexos. E foi exatamente essa base lógica forte que tornou muito mais fácil para mim aprender a programar e mergulhar na interface entre os mundos da tecnologia, da economia e das finanças.
Como a sua profissão pode impactar positivamente a sociedade, indo além dos resultados imediatos e tradicionais?
Lucas: Levar a cultura de dados para setores que não a têm tão desenvolvida quanto a Economia muda o jeito como as empresas decidem. Vejo isso no meu trabalho: o cliente chega com uma leitura intuitiva de quem é o seu consumidor e sai do projeto com uma compreensão mais sensível do mercado em que está inserido, pautada em dados e na realidade. Quando a decisão parte daí, o resultado costuma ser melhor para quem decide e para quem consome.
Como os jovens podem conectar seus propósitos pessoais às escolhas profissionais, indo além do óbvio e criando um impacto real?
Lucas: Um dia, durante uma aula, um professor da FGV EESP disse que a ideologia pessoal de quem trabalha com Economia, aquilo em que a pessoa acredita, reflete-se não nas conclusões a que ela chega, mas nas perguntas que ela faz. Acredito que há muito espaço para os jovens impactarem sua comunidade, a pesquisa acadêmica, o setor privado e o setor público por meio do senso crítico e da inquietação típicos dessa idade. A Economia não é um conjunto dogmático de verdades, mas sim um arcabouço rico de ferramentas que possibilita a compreensão de fenômenos complexos.
Renan: Acho que o caminho é buscar trabalhar com aquilo que dá vontade de continuar aprendendo. No meu caso, sempre gostei de estudar e gosto do dinamismo do mercado. O impacto real acontece quando você junta aquilo de que gosta (como tecnologia e dados) com a necessidade do lugar onde trabalha, criando ferramentas que realmente facilitam a vida das pessoas e melhoram os resultados da empresa.
Que dica você daria a um jovem que está começando sua carreira, buscando uma profissão que esteja alinhada aos seus propósitos, mas que também tenha o poder de superar as expectativas e inovar?
Lucas: Não tenha medo de fazer perguntas às pessoas. Ser desinibido gera resultados. Cheguei ao meu trabalho atual porque procurei gente que não me conhecia e expliquei por que aquilo que eu sabia fazer seria útil para o trabalho e para as empresas delas. Boa parte não respondeu. As que responderam abriram o caminho que sigo até hoje.
Renan: A principal dica é: não tenha medo de aprender coisas de outras áreas. Tente misturar conhecimentos, porque é justamente nessa interseção entre áreas diferentes que você encontra as melhores oportunidades. No fim, você se torna um profissional muito mais completo.
Dia das Profissões 2026
O Dia das Profissões 2026 é um convite para explorar as múltiplas possibilidades que podem surgir a partir de uma mesma formação.
Em um cenário cada vez mais conectado e dinâmico, profissionais da área de Economia capazes de interpretar informações, compreender comportamentos e transformar dados em decisões ganham espaço nos mais diversos setores.
Ao conhecer a trajetória de Lucas e Renan, percebemos que a escolha de uma graduação não determina um único destino profissional. Pelo contrário: ela pode ser o ponto de partida para construir caminhos alinhados aos seus interesses e às transformações do mundo contemporâneo.
Economia na FGV
As graduações em Economia da FGV preparam os estudantes para compreender os desafios econômicos, sociais e empresariais de um mundo em constante transformação. Ao longo da graduação, os alunos desenvolvem uma formação sólida em teoria econômica, métodos quantitativos, análise de dados, pensamento crítico e resolução de problemas complexos, combinando conhecimento acadêmico e aplicação prática.
Estudar Economia significa aprender a interpretar cenários, identificar oportunidades e tomar decisões fundamentadas em evidências. Essa formação amplia a capacidade de analisar fenômenos que impactam organizações, governos e a sociedade, preparando profissionais para atuar em contextos diversos.
Quer conhecer mais sobre a graduação em Economia da FGV EESP, em São Paulo? Acesse aqui.
Quer conhecer mais sobre a graduação em Economia da FGV EPGE, no Rio de Janeiro? Acesse aqui.