Quando se fala em Relações Internacionais, a primeira imagem que costuma vir à mente é a de embaixadas, cúpulas e negociações diplomáticas. A área, no entanto, abre caminhos bem mais amplos, que passam pela pesquisa aplicada, pela formulação de políticas públicas e pelo trabalho de campo em diferentes partes do mundo.

A jornada de Isabella Nascimento é um exemplo disso. Formada pela Escola de Relações Internacionais (FGV RI), ela é mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Chicago e atua como coordenadora de pesquisa de campo na Booth School of Business, da mesma universidade. Nos últimos três anos, participou de projetos de pesquisa na Zâmbia, em Moçambique, na África do Sul, na Nigéria e no Quênia, em contextos que vão de treinamentos em saúde na zona rural moçambicana a entrevistas com CEOs de startups nigerianas.

No Dia do Profissional de Relações Internacionais, a ex-aluna conta como a formação multidisciplinar da FGV ajudou a moldar sua visão da profissão, relembra experiências que marcaram sua carreira e deixa um conselho para quem está começando. Confira a entrevista completa.

A ideia central do "Dia das Profissões 2026" é mostrar que as profissões podem ir além do óbvio. Em sua experiência dentro das Relações Internacionais, como você acha que sua profissão reflete essa proposta?

Muita gente associa Relações Internacionais apenas à diplomacia, mas minha trajetória mostra que a área abre caminhos bem menos óbvios, como a pesquisa aplicada. Cursar a graduação na FGV me proporcionou uma base técnica sólida e oportunidades para experimentar diferentes áreas e aprofundar meus interesses. Lembro bem de uma imersão nas bases da operação que acolheu refugiados venezuelanos em Pacaraima, no norte do país, junto ao Exército Brasileiro. Apesar de não ter seguido na área de ajuda humanitária, percebi nessa oportunidade que gostava de pesquisa de campo e que tinha um olhar técnico para políticas públicas, como era o caso da Operação Acolhida. Essa foi uma das várias experiências que me permitiram, anos depois, conquistar um mestrado em Políticas Públicas na Universidade de Chicago e começar uma carreira como pesquisadora internacional, na qual viagens como a de Roraima se tornaram rotineiras.

O que significa "pensar fora da caixa" em sua profissão, e como isso pode ser aplicado no dia a dia de forma prática?

Na minha experiência, ter em minha formação áreas distintas, tais como economia, ciência política, filosofia, história e estatística, me ajudou a fazer conexões além do óbvio. Isso me possibilitou duas coisas. Em primeiro lugar, buscar respostas completas para problemas complexos: questões de relações internacionais tendem a ser multifatoriais, e entender essa complexidade nos aproxima de soluções factíveis para problemas modernos. Em segundo lugar, aprender a ser curiosa sobre outras áreas e aplicá-las no meu trabalho. Um exemplo prático: nas aulas de "Teoria das RI I – Guerra e Paz", no segundo semestre, tive meu primeiro contato com psicologia política. Hoje sei que sou apaixonada pelo uso da psicologia nas ciências sociais, como na psicologia política e na economia comportamental, áreas sobre as quais leio nas horas vagas e que aplico a diferentes questões do meu dia a dia.

Quais oportunidades inesperadas você encontrou na sua carreira que desafiaram o estereótipo da sua profissão?

A oportunidade mais inesperada da minha carreira foi a pesquisa de campo internacional. Nos últimos três anos, fui convidada a trabalhar na Zâmbia, em Moçambique, na África do Sul, na Nigéria e no Quênia em diferentes projetos de pesquisa. Essas viagens nunca estiveram ligadas a missões diplomáticas, como seria esperado para minha formação, mas sim ao trabalho de professores e pesquisadores que estão na fronteira do conhecimento. Já trabalhei em contextos muito diferentes: de treinamentos em saúde para curandeiros na zona rural de Moçambique a entrevistas com CEOs de startups na Nigéria. Todas essas experiências foram aplicações práticas das aulas de econometria da FGV, mas exigiram adaptação a uma realidade diferente daquela a que eu estava acostumada. Surpresas sempre acontecem, como foi o caso da amizade que construí na Zâmbia com o embaixador Arthur Nogueira, o diplomata Edison Luiz da Rosa Júnior e do Vice-Cônsul Rafael Magno. Ela surgiu de um e-mail que enviei a eles tentando marcar uma reunião, sem conhecê-los nem ter qualquer contato que me conectasse a eles.

De que maneira a FGV contribuiu para moldar sua visão de profissão, expandindo suas possibilidades além do convencional?

A FGV me apresentou a um padrão de excelência. O diretor Matias Spektor e o vice-diretor Eduardo Mello sempre diziam que a excelência era o que os guiava na construção da graduação em Relações Internacionais, e sou muito grata por isso. Foi essa busca pela excelência que me diferenciou para assumir cargos além do óbvio e expandir meu universo profissional.

Como a sua profissão pode impactar positivamente a sociedade, indo além dos resultados imediatos e tradicionais?

Vejo, por mim e pelos meus colegas de graduação, que seguimos com o propósito de gerar um impacto positivo na sociedade. No meu caso, tenho feito isso participando ativamente de pesquisas na fronteira do conhecimento em economia do desenvolvimento, que buscam, em última instância, influenciar e moldar políticas públicas municipais, estaduais e federais com base em evidências científicas.

Que dica você daria a um jovem que está começando sua carreira, buscando uma profissão que esteja alinhada aos seus propósitos, mas que também tenha o poder de superar as expectativas e inovar?

Construa uma rede sólida de conselheiros. No meu caso, os professores da FGV RI, especialmente o professor Eduardo Mello, foram fundamentais para me guiar no início da carreira. Eduardo foi meu orientador de iniciação científica e, nos nossos encontros semanais, fez questão de me expor a diferentes áreas das relações internacionais e de sugerir caminhos alinhados ao meu propósito. Hoje, quatro anos depois de me formar, ainda busco seus conselhos para fazer escolhas estratégicas na minha carreira. Ao longo dos anos, acrescentei outros profissionais a essa lista de conselheiros, que me ajudam a entender quando é possível inovar e quando é preciso manter os pés no chão.

Dia das Profissões 2026

O Dia das Profissões 2026 é um convite para você ir além do convencional e construir uma carreira que realmente faça a diferença. Ao longo da entrevista completa, percebemos que essas experiências podem oferecer perspectivas enriquecedoras, auxiliando na sua jornada de descoberta e na construção de um futuro profissional alinhado com as demandas de um mundo em constante evolução.

Relações Internacionais na FGV

A Graduação em RI prepara seus alunos para carreiras globais. A função é garantir que todos os egressos tenham os instrumentos necessários para fazer as escolhas profissionais de sua preferência, no Brasil e no exterior. 

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