Quando se pensa em Ciência de Dados e Inteligência Artificial, a imagem imediata costuma ser a de telas repletas de códigos, números e profissionais focados exclusivamente em linguagens de programação. A área, no entanto, exige uma profunda compreensão do comportamento humano, ética, visão de negócios e adaptabilidade para resolver problemas reais e complexos.

A trajetória de João Vitor Ferreira ilustra bem essa pluralidade. Aluno do 6º período de Ciência de Dados e Inteligência Artificial da Escola de Matemática Aplicada (FGV EMAp), ele estagia na Kearney, uma empresa global de consultoria estratégica, e já vivenciou experiências que vão desde a biologia computacional até o debate sobre diplomacia e governança da inteligência artificial durante seu intercâmbio na Sorbonne Université, em Paris.

Hoje, no Dia do Cientista de Dados, o aluno conta como a formação multidisciplinar da FGV ajudou a moldar sua visão da profissão, mostra por que questionar os próprios vieses é fundamental para a tecnologia não reproduzir preconceitos e deixa um conselho para quem está começando. Confira a entrevista completa.

A ideia central do "Dia das Profissões 2026" é mostrar que as profissões podem ir além do óbvio. Em sua experiência dentro da Ciência de Dados e do estágio, como você acha que sua profissão reflete essa proposta?

João Vitor Ferreira (FGV EMAp): Atualmente estagio na Kearney, uma empresa global de consultoria empresarial. Algo que me surpreendeu bastante foi ver que, no geral, desenvolver o modelo é a parte fácil. O difícil é entender seus inúmeros pontos de falha, que, muitas vezes nem são matemáticos. Quando você desenvolve uma ferramenta que vai ser usada por humanos, fatores psicológicos como a usabilidade da ferramenta, a experiência já acumulada e até o receio dos usuários de perder o emprego podem afetar os resultados da implementação. É importante saber diagnosticar essas situações.

O que significa "pensar fora da caixa" em sua profissão, e como isso pode ser aplicado no dia a dia de forma prática?

João Vitor Ferreira (FGV EMAp): O ser humano, por natureza, é muito bom em achar argumentos para sustentar o que acredita. Para ser um bom cientista de dados, no entanto, você deve constantemente se policiar e ficar atento aos seus próprios vieses para conseguir extrair as informações que o dado quer te mostrar. Ou seja, pensar fora da caixa é tentar refutar a si mesmo.

Quais oportunidades inesperadas você encontrou na sala de aula e também no estágio que desafiaram o estereótipo da sua profissão?

João Vitor Ferreira (FGV EMAp): Fiquei fascinado quando conheci o PaccanaroLab, do professor Alberto Paccanaro. Descobri que é possível fazer pesquisa em biologia computacional, medicina e farmacologia com aplicações reais sem nem realizar experimentos químicos. Algoritmos semelhantes aos que recomendam filmes na Netflix podem ser usados para prever a frequência de efeitos colaterais de remédios e salvar vidas.

De que maneira a FGV contribuiu para moldar sua visão de profissão, expandindo suas possibilidades além do convencional?

João Vitor Ferreira (FGV EMAp): A FGV oferece uma formação extremamente ampla e o curso de ciência de dados, em específico, abre muitas portas. Vejo amigos se tornando pesquisadores (em big techs e na academia), professores, consultores, empreendedores e até gente trabalhando no mercado financeiro. Além disso, pude participar de um intercâmbio na Sorbonne Université, em Paris, onde discuti sobre os usos da inteligência artificial na arte e pude entender melhor sobre diplomacia e governança da tecnologia.

Como a sua profissão pode impactar positivamente a sociedade, indo além dos resultados imediatos e tradicionais?

João Vitor Ferreira (FGV EMAp): O cientista de dados é fundamental para garantir que os sistemas não sejam discriminatórios. Modelos de crédito, recrutamento ou reconhecimento facial podem reproduzir preconceitos históricos presentes nos dados de treinamento e é nosso papel questionar as variáveis usadas para evitar vieses infundados.

Que dica você daria a um jovem que está começando sua carreira, buscando uma profissão que esteja alinhada aos seus propósitos, mas que também tenha o poder de superar as expectativas e inovar?

João Vitor Ferreira (FGV EMAp): Parece contraintuitivo esse conselho, mas foque menos em conselhos e mais em experiências. Aproveite a faculdade para tentar diferentes caminhos, relacionados à sua área ou não, participar de eventos e descobrir o que te faz feliz. Novas profissões e mercados surgem a todo momento e, para ser um bom profissional atualmente, a adaptabilidade é crucial.

Dia das Profissões 2026

O Dia das Profissões 2026 é um convite para você ir além do convencional e construir uma carreira que realmente faça a diferença. Ao longo da entrevista completa, percebemos que essas experiências podem oferecer perspectivas enriquecedoras, auxiliando na sua jornada de descoberta e na construção de um futuro profissional alinhado com as demandas de um mundo em constante evolução.

Ciência de Dados na FGV

A Graduação em Ciência de Dados e Inteligência Artificial prepara os alunos para a liderança técnica e estratégica na era digital. O curso une a forte base matemática e computacional a uma visão analítica sobre como os dados impactam os negócios, a ciência e a sociedade.

Quer conhecer mais sobre o curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial? Acesse o site do Vestibular para saber mais sobre a graduação na FGV EMAp.

Conheça mais sobre a Graduação FGV