Escolher uma faculdade é uma das decisões mais importantes da vida. E para quem ainda está nessa fase, ouvir a experiência de quem já passou por ela e descobriu que um mundo além da sala de aula pode mudar toda a sua visão acadêmica, profissional e pessoal.

Luis Kawatake é aluno da Escola de Políticas Públicas, Governo e Administração (FGV EPPGE), uma graduação focada na interseção entre gestão pública, negócios e sociedade. E foi exatamente essa formação que o levou a enxergar o intercâmbio não como uma interrupção na carreira, mas como parte essencial dela.

"Qualquer expectativa inicial acaba sendo pequena perto do que a experiência realmente proporciona".

Afirma Luis, que passou seis meses estudando em Lisboa, morou em uma residência universitária internacional e viajou pela Europa enquanto cursava sua graduação.

Para ele, a vivência foi além dos livros:

Viajar me ensinou sobre humildade, a reconhecer que o mundo é muito maior do que nossa própria realidade.

Rapaz na neve segurando uma bandeira da Suíça no topo de Jungfraujoch, usando roupas de inverno.

Nesta entrevista, ele contou como essa vivência impactou sua trajetória e deu conselhos para quem quer aproveitar ao máximo a vida universitária.

• O que motivou sua decisão de realizar o intercâmbio em Lisboa e como isso impactou sua trajetória acadêmica?

Fazer um intercâmbio é uma daquelas decisões que parecem simples no início, mas cujo impacto só se entende depois de vivê-la. Como muitos estudantes, sempre tive curiosidade sobre como seria estudar fora do Brasil, viver outra cultura, conhecer pessoas de diferentes países e experimentar uma realidade acadêmica diferente.

Mas a verdade é que qualquer expectativa inicial acaba sendo pequena perto do que a experiência realmente proporciona. A decisão de realizar o intercâmbio em Lisboa foi motivada pela busca de uma formação mais internacional e pela oportunidade de vivenciar diferentes perspectivas acadêmicas dentro da área da Administração. Estudar na universidade de Lisboa ampliou minha forma de analisar temas que já fazia parte da minha formação no Brasil, trazendo novas abordagens, referências e visões mais conectadas ao contexto global.

alunos reunidos em pé

Além disso, estar na Europa me permitiu conhecer países que eu sempre sonhei em visitar. Viajar teve um papel fundamental nessa experiência, pois transformou profundamente minha perspectiva de mundo. Ao longo de seis meses, vivenciei diferentes culturas, estilos de vida e realidades, e cada destino contribuiu para expandir minha compreensão sobre sociedade, economia e comportamento.

Viajar me ensinou sobre humildade, a reconhecer que o mundo é muito maior do que nossa própria realidade e que existem inúmeras formas de viver, pensar e agir. Essa vivência reforçou em mim a ideia de que o sucesso não é acidental, mas construído por meio de aprendizado contínuo e experiências reais, algo que impactou diretamente minha trajetória acadêmica e pessoal.

• Quais foram as maiores lições que você aprendeu ao conviver com estudantes de várias partes do mundo e diferentes áreas de conhecimento?

Durante esse período, tive a oportunidade de viver na Residência Universitária Montes Claros, sem dúvida, uma das experiências mais marcantes da minha vida. Mais do que um alojamento, Montes Claros é uma verdadeira comunidade de conhecimento, reunindo estudantes de diferentes lugares do mundo e áreas acadêmicas em um ambiente que valoriza a convivência, o desenvolvimento acadêmico e pessoal.

frente da residência universitária Montes Claros

Conviver diariamente com pessoas de diferentes nacionalidades tanto em casa quanto na universidade transformou minha forma de lidar com a vida, projetos e processos de tomada de decisão. A diversidade de perspectivas ampliou o nível dos debates e trouxe uma compreensão mais concreta sobre como contextos culturais influenciam comportamento, comunicação e liderança.

• Como a experiência de viver em uma residência universitária influenciou sua formação pessoal e profissional?

Viver em uma residência universitária foi essencial para o meu desenvolvimento. No aspecto pessoal, fortaleceu minha autonomia, organização e capacidade de adaptação. Além da segurança que o ambiente transmite. No profissional, proporcionou um ambiente constante de troca de ideias, onde discussões informais muitas vezes se tornavam tão enriquecedoras quanto às aulas.

Além disso, o convívio diário com pessoas de diferentes contextos e lugares reforçou habilidades como comunicação (nem todos falavam português) - então acabei exercendo o inglês e o francês), empatia e trabalho em equipe, competências fundamentais para a área de Administração de empresas. Todos os finais de semana eu organizava de fazer alguma coisa com eles, como eu não era o único que não conhecia a cidade, a gente sempre visitava museus, restaurantes e cidades ao redor.

vários alunos reunidos em pé

• Você pode compartilhar um exemplo específico de como a diversidade cultural impactou seus debates e sua forma de tomar decisões?

Em um trabalho em grupo na universidade na matéria de recursos humanos, discutimos estratégias de expansão de uma empresa para novos mercados. Enquanto alguns colegas priorizavam eficiência operacional, outros destacavam a importância de adaptação cultural e relacionamento local. Um colega da China trouxe uma visão mais voltada à construção de confiança de longo prazo, enquanto um europeu enfatizou regulamentações e sustentabilidade.

alunos e professores em pé reunidos

Esse contraste de perspectivas me fez perceber que decisões estratégicas precisam equilibrar fatores que vão além dos números, incorporando aspectos culturais e institucionais. Desde então, passei a considerar essas variáveis de forma muito mais estruturada nas minhas análises.

• Que conselhos você daria para os futuros alunos da FGV que desejam aproveitar ao máximo uma experiência de intercâmbio?

Meu principal conselho é: vá além da sala de aula. Busque conhecer pessoas de diferentes países, participe ativamente das atividades oferecidas e esteja aberto a sair da sua zona de conforto. Planeje seu tempo para equilibrar estudos e experiências culturais, como viagens e eventos locais.

Além disso, tenha iniciativa, muitas das melhores oportunidades surgem de conversas informais e conexões espontâneas. Por fim, encare o intercâmbio não apenas como um período acadêmico, mas como um processo de amadurecimento pessoal e profissional.

 

A história de Luis mostra que a graduação na FGV vai muito além da sala de aula. Para quem está se preparando para o vestibular, a pergunta não é apenas onde estudar, mas como aproveitar cada oportunidade que uma boa universidade pode oferecer.

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