Todo mundo já ouviu falar em inconsciente, em ato falho, em como os sonhos atravessam as emoções e o desejo orienta as ações humanas. Esse é o legado de Freud, que popularizou a psicanálise em todo o mundo. Mas e a antropologia? Nem sempre ela recebe o mesmo destaque, embora esteja igualmente presente na forma como compreendemos a sociedade.
É justamente essa lacuna que a FGV busca preencher. Na aula magna para os alunos da Escola de Ciências Sociais (FGV CPDOC), o antropólogo Michel Alcoforado mostrou como a antropologia explica fenômenos do cotidiano, do consumo às relações sociais. Estudar Ciências Sociais é justamente isso: pensar o que está ao nosso redor e entender os fenômenos culturais que moldam a vida em coletividade.
Quem é Michel Alcoforado e como ele se tornou "o antropólogo dos ricos"?
Foi ainda observando a televisão que Michel percebeu o poder da antropologia aplicada. Durante a aula magna, ele contou que, ao assistir à GloboNews, reparava como o canal recorria a um especialista sempre que uma reportagem precisava de profundidade. Foi nesse momento que decidiu: queria ser esse especialista.
Essa vontade ficou clara em seu livro "Coisa de Rico: a Vida dos Endinheirados Brasileiros", no qual Michel leva a antropologia para fora da academia, de forma simples, orgânica e acessível. A pesquisa nasceu do interesse do autor pela pluralidade das diferenças que convivem em uma mesma cidade. Carioca e oriundo da classe média, ele fez uma imersão na elite brasileira e, a partir dela, passou a ser chamado de "antropólogo dos ricos". O resultado foi uma narrativa capaz de traduzir a elite em linguagem fluida e acessível até para quem nunca estudou antropologia.

Esse mesmo espírito orienta o trabalho do pesquisador: retirar a aura estritamente acadêmica e aproxima a área do público em geral, facilitando a compreensão do que é a antropologia, o estudo científico da humanidade, com foco em hábitos, ações sociais, organizações e sistemas de crenças.
Como funciona o projeto "Cientista Social Pesquisa" do FGV CPDOC?
Essa mesma vocação de aproximar a ciência do cotidiano é o que move outro projeto do FGV CPDOC: o "Cientista Social Pesquisa", iniciativa de divulgação científica vinculada à Escola de Ciências Sociais. Seu ponto de partida é uma pergunta simples: o que pesquisa um cientista social?
A resposta surpreende quem ainda associa as Ciências Sociais apenas a grandes temas abstratos. Menstruação, animes e mangás, a Barbie, maternidade, psicodélicos: qualquer fenômeno da vida cotidiana pode se tornar objeto de investigação científica. O projeto existe para tornar isso visível, especialmente para estudantes do ensino médio e para o público em geral.
A proposta é apresentar os mais diferentes temas de pesquisa da área, mostrando a pluralidade de interesses, abordagens e possibilidades de investigação. Nenhum tema é considerado menos importante ou menos digno de análise.
Onde pode atuar quem se forma em Ciências Sociais?
Com essa amplitude de temas, não é surpresa que o mercado de trabalho para quem se forma em Ciências Sociais seja igualmente diverso. Entre as principais áreas de atuação estão:
- Instituições acadêmicas de ensino e pesquisa
- Órgãos públicos
- Organizações não governamentais
- Consultorias políticas e sociais
- Instituições culturais
- Institutos de pesquisa de opinião pública e de mercado
- Área de responsabilidade social corporativa
- Assessoria parlamentar e política
- Pesquisa em consumo e marketing
Como é o curso de Ciências Sociais da FGV?
A graduação em Ciências Sociais da FGV, oferecida pelo FGV CPDOC, combina sólida formação humanista com a prática da pesquisa social. Ao longo do curso, os estudantes desenvolvem conhecimentos teóricos e metodológicos e têm contato com diferentes formas de investigação, em um ambiente interdisciplinar que aproxima teoria e prática. Essa formação prepara o aluno para compreender fenômenos sociais, políticos e culturais e desenvolver habilidades aplicáveis a diferentes caminhos profissionais.