O que faz um profissional de Relações Internacionais? Essa é uma pergunta que muitas pessoas fazem ao se depararem com a nomenclatura do curso. Para Rafaela Gonçalves, estudante do último semestre, a resposta vai além do que acompanhar a política global, envolve analisar cenários, compreender diferentes interesses e conectar conhecimentos de política, economia e dados a desafios concretos do mercado de trabalho.
Estagiária de Relações Governamentais, a aluna conta como a graduação contribui para a sua trajetória, desde a preparação nos processos seletivos até o dia a dia profissional. Nesta entrevista, ela também fala sobre a importância de explorar diferentes experiências durante o curso e compartilha dicas para quem está começando a planejar uma carreira em RI.

Confira abaixo a entrevista completa.
Como começar uma carreira em RI?
Começar uma carreira em Relações Internacionais está muito relacionado com aproveitar o que a faculdade oferece para entender, na prática, quais áreas despertam mais interesse. RI é um curso muito amplo e permite seguir caminhos muito diferentes. Por isso, acredito que participar de iniciações científicas, projetos de pesquisa, empresas juniores, entidades estudantis e outras atividades extracurriculares é uma das melhores formas de conhecer essas possibilidades e começar a construir uma trajetória profissional. Uma dica que eu daria é pesquisar bastante o mercado e as oportunidades existentes, buscando entender quais competências são valorizadas nas áreas que mais interessam a cada aluno. Também considero importante não ter medo de experimentar diferentes experiências ao longo da graduação, porque muitas vezes é justamente por meio delas que conseguimos descobrir com mais clareza onde queremos atuar.
Como a grade de disciplinas auxilia nesse processo?
A grade da FGV contribui bastante para esse processo. Além da formação teórica em política, economia e relações internacionais, temos disciplinas e oficinas voltadas à preparação profissional, que ajudam a entender melhor processos seletivos e a desenvolver competências importantes para a entrada no mercado de trabalho. Outro diferencial que eu destacaria é a formação quantitativa. Ao longo do curso, temos contato com estatística, programação e análise de dados, algo que é bastante valorizado pelos empregadores. No meu caso, também fiz a formação complementar em Ciência de Dados, o que me permitiu desenvolver projetos utilizando técnicas como machine learning e análise de dados aplicadas a temas políticos no meu estágio, como previsão e análise eleitoral.
Atualmente estou no último semestre da graduação e tenho que conciliar a rotina acadêmica com o estágio. É uma rotina intensa, mas acredito que justamente essa combinação entre faculdade e experiência profissional torna a formação muito mais completa, porque vários conceitos que aprendemos em sala de aula passam a fazer sentido quando enxergamos sua aplicação no mercado.
Fale sobre a sua atuação profissional e a ligação com RI
Hoje atuo como estagiária de Relações Governamentais na Concordia Public Affairs Strategies, trabalhando principalmente com análise de risco político doméstico. No dia a dia, acompanho o cenário político e regulatório brasileiro, monitorando decisões e acontecimentos que podem gerar impactos para diferentes setores e clientes. Também sou responsável pela elaboração de relatórios e análises sobre essas questões, buscando explicar acontecimentos e entender quais podem ser os seus desdobramentos. É uma atuação que se conecta diretamente com Relações Internacionais, porque exige capacidade de análise política, compreensão institucional, visão econômica e leitura de diferentes atores e interesses. Ao mesmo tempo, consigo incorporar ferramentas quantitativas e de Ciência de Dados às análises, o que mostra como a formação em RI pode ser bastante interdisciplinar e abrir diferentes possibilidades de atuação profissional.
Qual a importância da FGV RI na conquista de seu estágio?
Acredito que a FGV RI teve um papel importante na conquista do meu estágio tanto pela preparação para os processos seletivos quanto pela formação oferecida ao longo do curso. As disciplinas e oficinas profissionais ajudam a desenvolver habilidades importantes para essa etapa, como comunicação, análise, construção de currículo e preparação para entrevistas. Além disso, a formação multidisciplinar em política, economia e métodos quantitativos me deu uma base que dialogava diretamente com os conhecimentos e competências exigidos para a vaga.
Como você aplica os conhecimentos e habilidades adquiridos no curso na sua prática profissional?
No dia a dia profissional, aplico principalmente a capacidade de analisar cenários políticos e institucionais, identificar atores e interesses relevantes e compreender como determinadas decisões podem impactar diferentes setores. Também utilizo bastante as habilidades de pesquisa e escrita desenvolvidas ao longo da graduação, especialmente na elaboração de relatórios e análises para clientes. Além disso, a formação quantitativa e minha formação complementar em Ciência de Dados me ajudam a trabalhar com informações de forma mais estruturada e a incorporar análise de dados a temas políticos e regulatórios, em que construo previsões e modelos no trabalho.
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