Você já parou para pensar em como encontrar propósito em meio às transformações do mundo? No dia do Cientista Social, celebrado no dia 22 de julho, é importante refletir sobre o papel desses profissionais. Com a inteligência artificial, a produção de conteúdo acelerado e desafios sociais cada vez mais complexos, os cientistas sociais ganham ainda mais relevância ao buscar entender a realidade em que vivemos.

A data é uma oportunidade para reconhecer o papel fundamental desses profissionais na análise, interpretação e transformação da realidade social. Em um mundo em constante mudança, marcado por desafios políticos, culturais e tecnológicos, a escuta qualificada e o pensamento crítico tornam-se mais essenciais do que nunca. 

João Victor Fernandes Machado, aluno do 5º período da graduação em Ciências Sociais da Escola de Ciências Sociais (FGV CPDOC), é um exemplo dessa nova geração de cientistas sociais. Atuando com comunicação audiovisual, ele descobriu seu propósito ao unir técnica, ética e engajamento social. 

Confira abaixo a entrevista completa: 

Descoberta do propósito 

  1. Como você descobriu seu propósito profissional? Houve algum momento decisivo nessa jornada? 

Descobrir meu propósito foi um processo, e não uma revelação súbita. Mas houve um momento marcante: ao participar das gravações e edições no Núcleo de Audiovisual (NAD), percebi o poder da comunicação audiovisual como ferramenta de transformação social. Isso conectou minha paixão por narrativas com meu desejo de impactar positivamente a sociedade. Entendi que meu propósito está na interseção entre escuta, linguagem e justiça social. 

  1. Quais foram os principais desafios para alinhar seus talentos com seus valores pessoais? 

Um desafio foi entender que nem sempre os caminhos mais valorizados no mercado são os que ressoam com nossos valores. Trabalhar com audiovisual dentro de uma instituição acadêmica como a FGV me fez questionar padrões e encontrar formas de ser criativo sem abrir mão da ética, da crítica e do compromisso com narrativas que representem vozes invisibilizadas. 

Tecnologia e transformação profissional 

  1. Como você percebe que a tecnologia está transformando sua área de atuação? 

A tecnologia mudou tudo: da forma de produzir conteúdo à maneira como o público consome informação. No NAD, por exemplo, usamos equipamentos e softwares que permitem maior qualidade e agilidade, como o uso de inteligência artificial para transcrever textos, mas também enfrentamos o desafio de acompanhar constantes atualizações. Além disso, as redes sociais e o audiovisual digital democratizaram a produção de conteúdo e abriram espaço para novas vozes. 

  1. Que novas oportunidades surgiram na sua profissão graças às inovações tecnológicas? 

As inovações abriram espaço para projetos mais autorais, independentes e colaborativos. Hoje, é possível produzir um documentário com um celular e editar em um notebook. No NAD, por exemplo, pude ver como a tecnologia nos permite trabalhar com acervos digitais, reconstituir histórias e ampliar o alcance de conteúdos que antes ficavam restritos à academia. 

O papel da FGV 

  1. Como a FGV te ajudou a moldar sua jornada profissional? 

A FGV me deu estrutura, mas também provocou questionamentos. O espaço do NAD foi fundamental para entender a prática da comunicação dentro de uma lógica institucional. Ao mesmo tempo, os debates acadêmicos em Ciências Sociais me ajudaram a pensar criticamente sobre os usos da imagem e da narrativa. A combinação entre teoria e prática moldou minha forma de trabalhar. 

  1. Quais habilidades desenvolvidas na FGV foram essenciais para seu sucesso no mercado? 

Além da técnica em audiovisual, a FGV me ajudou a desenvolver organização, comunicação escrita e oral, pensamento crítico e sensibilidade ética habilidades fundamentais em qualquer área. Aprendi também a trabalhar em equipe, gerir projetos e respeitar prazos, o que faz muita diferença na prática profissional. 

Presença digital e posicionamento 

  1. De que forma você percebe que é necessário se posicionar no mercado como "influencer" para ser notado? 

Hoje, quem não se posiciona digitalmente acaba se tornando invisível. Mas ser “influencer não é apenas sobre estética ou engajamento é sobre transmitir valores. No meu caso, uso a internet como um espaço para falar de cultura, educação e política de forma acessível. Ser notado, para mim, é ser coerente com o que acredito e produzir conteúdo que gere conversa e reflexão. 

  1. Como você equilibra autenticidade e estratégia no seu posicionamento profissional 

A chave é saber quem você é e o que quer comunicar. Não adianta seguir fórmulas vazias. Tento sempre me manter fiel às minhas referências, ao meu território e às causas que me atravessam. 

Aprendizado com profissionais experientes 

  1. O que você aprendeu com profissionais mais experientes sobre como sua profissão evoluiu ao longo do tempo? 

Aprendi que, antes, a comunicação era muito mais centralizada e técnica; hoje, ela é cada vez mais híbrida e aberta à experimentação. Profissionais mais experientes me mostraram a importância da escuta, da paciência no processo criativo e do cuidado com a ética da imagem. 

Dicas para futuros profissionais (entrevista aluno com profissional sênior) 

  1. Que dicas você daria para novos estudantes sobre como construir uma carreira alinhada com propósito? 

Primeiro: escute sua intuição. Segundo: cerque-se de pessoas que te inspiram. Terceiro: não tenha medo de dizer “não” a caminhos que não dialogam com seus valores. É possível, sim, fazer carreira sem abrir mão da consciência social e da coerência. E lembre: o propósito não vem pronto ele se constrói no caminho. 

  1. Quais habilidades você acredita que serão indispensáveis para os profissionais do futuro na sua área? 

Versatilidade técnica, pensamento crítico, escuta ativa e sensibilidade social. Saber trabalhar com edição, roteiro e câmeras será importante, mas mais ainda será saber contar boas histórias e entender o mundo que te cerca. O profissional do futuro vai precisar tanto dominar ferramentas como a inteligência artificial quanto entender de gente.

 

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