Por muitos anos, a história foi narrada predominantemente por homens brancos, em uma perspectiva eurocêntrica que muitas vezes marginalizou diversas vozes. Essa realidade moldou a definição de literatura dentro de um modelo que, frequentemente, se revela branco, patriarcal e unilateral. Essa hegemonia não apenas limitou a variedade de narrativas disponíveis, mas também desconsiderou a riqueza de experiências e perspectivas que poderiam enriquecer o nosso entendimento do mundo.

Com a expansão da consciência e a inclusão de múltiplas visões de mundo, temos a oportunidade de compreender a sociedade em que vivemos através de novas óticas. Essa mudança nos permite explorar diferentes formas de ler e escrever, abrindo espaço para narrativas que antes eram silenciadas. Nesse contexto, é essencial reconhecer o silenciamento de vozes que, por muito tempo, foram caladas e apagadas, desconsiderando sua relevância histórica e cultural.

Algumas dessas vozes notáveis incluem:

  • Angela Davis: Filósofa, ativista e ícone da luta pelos direitos civis nos EUA, Angela Davis não é apenas uma autora; ela é uma voz poderosa que desafia o racismo e o patriarcado. Seus escritos e palestras abordam questões de opressão, justiça social e feminismo, inspirando gerações a lutar por igualdade e direitos humanos.
     
  • Tia Ciata: Muitas vezes esquecida nas narrativas sobre a música brasileira, Tia Ciata foi uma das precursoras do samba no Rio de Janeiro. Sua contribuição para a música e a cultura brasileira é imensurável, e sua história é um testemunho da força e da criatividade das mulheres negras na construção da identidade cultural do país.
     
  • Maria Firmina dos Reis: Considerada a primeira romancista brasileira a ter um livro publicado, Maria Firmina dos Reis desafiou as normas de sua época. Sua obra "Úrsula" é uma crítica social profunda que aborda questões de raça e gênero, e sua importância na literatura brasileira precisa ser mais reconhecida.
     
  • Aretha Franklin: Conhecida como a rainha do soul, Aretha Franklin não foi apenas uma cantora icônica, mas também uma artista que usou sua música como forma de protesto e empoderamento. Suas letras e performances ressoam até hoje, e sua influência vai muito além da música, tocando questões sociais e políticas.

Além dessas autoras, existem muitas outras vozes que merecem ser ouvidas e celebradas. A série especial do FGV Notícias, "Mulheres no Acervo", destaca nomes como Yvonne Maggie, Rosalina Lisboa e Niomar Muniz Sodré. Cada uma delas traz uma perspectiva única que enriquece a literatura e a cultura brasileira.

Após o Dia da Consciência Negra, é importante revisitarmos a relevância dessas autoras e de suas obras. Aproveitando a data, convidamos você a acessar também o conteúdo sobre o tema e de que forma ele pode cair no vestibular. As sugestões de leitura apresentadas pelos alunos, todas de autoras negras brasileiras que têm marcado a literatura nacional, são um convite para ampliarmos nosso repertório e conhecermos novas vozes.

A valorização da literatura dessas autoras não é somente uma questão de justiça social, mas também uma maneira de enriquecer nosso entendimento sobre a diversidade humana. Ao ler e compartilhar suas obras, contribuímos para um mundo mais inclusivo e representativo.

Por isso, alguns alunos da Escola de Ciências Sociais (FGV CPDOC) sugeriram algumas obras de autoras negras brasileiras que se destacam na literatura nacional.

Veja abaixo as indicações:


O quarto de despejo
Carolina Maria de jesus

Livro Quarto de Despejo

O diário da catadora de papel Carolina Maria de Jesus deu origem à este livro, que relata o cotidiano triste e cruel da vida na favela. A linguagem simples, mas contundente, comove o leitor pelo realismo e pelo olhar sensível na hora de contar o que viu, viveu e sentiu nos anos em que morou na comunidade do Canindé, em São Paulo, com três filhos. Nayara Fernanda Pinto, ressaltou que Carolina, através dos seus relatos no seu diário, nos mostra um Brasil invisibilizado.


Afrografias da memória: o reinado do rosário no Jatobá
Leda Maria Martins

Livro Afrografias da Memoria

Ancestralidade e comunidade definem bem "Afrografias da Memória". O livro registra a coexistência religiosa e cultural que marca tão fortemente a identidade, a memória e a cultura popular brasileiras. Dessa forma, revela a riqueza das tradições trazidas pelos africanos e a história social e cultural de resistência e sobrevivência das populações negras, durante e após a escravidão. Ao incorporar na cultura dominante sua voz, cores e forma de sociabilidade, criando seus próprios rituais e suas próprias formas de pertencimento e acolhimento comunitário.

“É muito importante para conhecer um pouco mais sobre as religiões de matrizes africanas no Brasil especificamente o congado. A oralidade das religiões do brasil é muito importante”, salientou Andryas Aquiles.


Por um feminismo Afro Latino americano
Lélia Gonzalez

 Livro Lelia Gonzalez

Com organização de Flavia Rios e Márcia Lima, “Por um feminismo afro-latino-americano” reúne em um só volume um panorama amplo da obra desta pensadora tão múltipla quanto engajada. São textos produzidos durante um período efervescente que compreende quase duas décadas de história ― de 1979 a 1994 ― e que marca os anseios democráticos do Brasil e de outros países da América Latina e do Caribe. Um deles é o citado pelo aluno Marley Fernandes “Racismo e sexismo na cultura brasileira” que ressalta que a obra nos mostra que a opressão no Brasil tem classe, raça e gênero.


Ponciá Vicêncio
Conceição Evaristo

 Livro Poncia Vicencio

A história de Ponciá Vicêncio descreve os caminhos, as andanças, as marcas, os sonhos e os desencantos da protagonista. A autora traça a trajetória da personagem da infância à idade adulta, analisando seus afetos e desafetos e seu envolvimento com a família e os amigos. Discute a questão da identidade de Ponciá, centrada na herança identitária do avô e estabelece um diálogo entre o passado e o presente, entre a lembrança e a vivência, entre o real e o imaginado.

Leandro Pereira dos Santos argumenta que o livro nos ajuda a pensar através das nossas histórias pessoais, da nossa individualidade, a influência da história e da sociedade na nossa formação de indivíduo e identidade.


Confira também o Coletivo Ovelha Negra

O Coletivo Ovelha Negra da FGV voltou! O grupo propõe um diálogo sobre os desafios dos estudantes negros na instituição e na sociedade. É também espaço de criação e proposição de soluções conjuntas para o enfrentamento destas questões.

Veja abaixo a página no Instagram:

 Coletivo Ovelha Negra

Para saber mais sobre a proposta do grupo acesse aqui o instagram e fique por dentro de todas as novidades.

Conheça mais sobre a Graduação FGV