Você sabia que o dia 3 de novembro marca a instituição do direito de voto das mulheres no Brasil? Essa data representa uma das maiores conquistas da cidadania brasileira e simboliza o início de uma transformação profunda na forma como o país enxerga a participação política e a igualdade de gênero

Assim como o voto, o vestibular também representa um ato de escolha com impacto no futuro. Ao decidir prestar a prova da FGV, você está exercendo sua autonomia, buscando voz, espaço e transformação — assim como fizeram tantas mulheres há mais de 90 anos.

Ao se preparar para o vestibular, lembre-se: sua decisão importa. A prova é mais do que um teste. É um passo concreto para ocupar os espaços que você deseja transformar, com conhecimento, protagonismo e consciência social.

Essa conquista histórica nos lembra que grandes mudanças começam com escolhas individuais e corajosas. Hoje, ao olhar para trás e entender a luta por direitos fundamentais, como o voto feminino, também reconhecemos a importância de cada passo dado rumo à construção de um futuro mais justo e plural. É nesse espírito que refletimos sobre o passado para compreender os desafios que ainda enfrentamos — e que começam com o acesso ao conhecimento e à educação de qualidade.

Um país que ainda não ouvia as vozes femininas 

Até o início do século XX, as mulheres eram completamente excluídas da cena política. Não podiam votar, nem ser votadas. As decisões sobre o futuro do país eram tomadas exclusivamente por homens e o papel das mulheres permanecia restrito ao espaço doméstico ou a atividades consideradas “adequadas” à sua condição social. 

Mas esse cenário começou a mudar com o avanço dos movimentos feministas e das discussões sobre direitos civis. O início da década de 1930 foi um momento de efervescência política: o Brasil vivia o fim da República Velha e a ascensão de Getúlio Vargas ao poder. Nesse contexto, surgiram novas demandas sociais e, entre elas, o reconhecimento do direito político das mulheres. 

Em 1930, foi elaborado um projeto de lei que propunha o voto feminino. Dois anos depois, em 24 de fevereiro de 1932, o Código Eleitoral de 1932 entrou em vigor, garantindo às mulheres o direito de votar e de serem votadas. Essa conquista foi consolidada na Constituição de 1934, tornando o voto feminino uma realidade constitucional. 

Almerinda Farias Gama: uma voz pioneira na luta pela igualdade 

Entre os nomes que se destacaram nessa trajetória, um merece especial atenção: Almerinda Farias Gama. Nascida em 1899, em Maceió (AL), Almerinda foi uma mulher à frente de seu tempo. Atuou como líder sindical, advogada, secretária, tradutora e jornalista, e foi uma das primeiras mulheres negras a se envolver ativamente na política e no movimento feminista brasileiro. 

Em uma época em que o espaço público era majoritariamente masculino e branco, Almerinda rompeu barreiras e fez da sua voz um instrumento de transformação. Participou da fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, ao lado de Bertha Lutz, e representou as mulheres trabalhadoras na Assembleia Constituinte de 1934, defendendo o direito de voto e melhores condições de trabalho. 

Sua trajetória é um exemplo de resistência e engajamento político. E você pode mergulhar na história dela no acervo do FGV CPDOC, onde estão preservados registros, entrevistas e documentos que ajudam a compreender a dimensão de sua contribuição para a democracia brasileira. 

O significado do 3 de novembro hoje 

Mais de 90 anos se passaram desde que o voto feminino foi instituído, mas a luta pela igualdade de representação política ainda continua. 
Atualmente, as mulheres correspondem a mais da metade do eleitorado brasileiro, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entanto, continuam sub-representadas em cargos eletivos, ocupando menos de 20% das cadeiras no Congresso Nacional. 

Essa desigualdade reflete desafios estruturais: o financiamento desigual de campanhas, a sobrecarga de responsabilidades domésticas, o preconceito de gênero e a persistência de estereótipos que afastam as mulheres da vida pública. 

Por isso, o 3 de novembro é mais do que uma data histórica, é um convite à reflexão e à ação. É o momento de reconhecer as conquistas, valorizar as pioneiras e reafirmar o compromisso com uma democracia mais inclusiva. 

A luta continua 

O direito ao voto foi um marco, mas a participação ativa ainda é o caminho para fortalecer a cidadania. A data nos lembra que a democracia se constrói com representatividade e que a presença das mulheres em todos os espaços de decisão é essencial para o futuro do Brasil. 

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